Sunday, December 28, 2008
Friday, December 26, 2008
Saturday, December 20, 2008

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Se ser saudável é uma busca por mais força, também nas crises vemos movimentos de intensificação da vida: Como ser saudável está impregnado de solidão e de sofrimento... Aqueles que se pensam saudáveis-com-um-sorriso-que-nunca-acaba, simplesmente não vivem... A solidão é condição de possibilidade para uma busca e experiência de si. Também a solidão está para além das normas.
Porém Nietzsche não vive no mundo contemporâneo, e o que vemos hoje é uma reconfiguração disto que chamamos solidão, e também do que chamamos de fortificação da vida. Nesta época de vertigem e desmesura, em que somos atravessados por diversas informações que muitas vezes não temos tempo ou estômago de assimilar, enquanto uns vão apenas ‘contabilizando’ experiências, outros vão se perdendo no constante mar da dor de não conseguir conter o tempo. Que diria Nietzsche de uma época em que tememos a dor? De uma época em que se paga para não sentir? De uma época em que analgésico é sinônimo de amortecimento (que, aliás, já vem em pílulas, ou então como desejo de consumo, disseminado através de enxurradas de propagandas)? Fico a pensar que fim levaria o nosso querido filósofo bigodudo. Não poderia morrer simplesmente “de pena”, a loucura abraçado no cavalo diz muito mais. Mas, que estética da anestesia é esta a que nos submetemos? Será que a isso ainda podemos chamar solidão?
Ou será que se trata, assim, simplesmente... de medo?
[observem que a psicologia é a doença do século XX]
“A saúde será configurada de acordo com a criação de si e não enquanto conhecimento de si”.
Busca-se, então, não ter medo de olhar para o abismo.
Friday, November 07, 2008

“– Esteja aberta, minha filha. Você só consegue enxergar a dor... e aqui também tem muito amor”. Estas palavras soam cotidianamente. Ressoam. As palavras cortam?
Ele perguntou o que era a aparência, e naquele jogo semântico – amontoado de conceitos-mofos que perpassavam a pele – ele a fez parar, dizendo “vou tentar de outra maneira”, e deu uma aula de filosofia-e-vida tão completa em apenas 10 minutos, a partir da qual ela pensou até em kerouac, com seu “não tenho linguagem para encobrir meu embaraço”, o que a fizera chorar. Não porque tais palavras sobre aparência afirmassem a necessidade de uma verdade – até porque a verdade já fora questionada há tanto, inclusive por ele –, mas porque soavam extremamente verdadeiras... e cortavam a carne. Uma carne tão anestesiada. E que agora, finalmente, doía.
Por uma sonoridade leve (“there’s a beautiful mess inside”), transita entre alguns amontoados de lembranças, tentando recuperar o discurso. Mas lapsos são também suor, escoam. Talvez seja mais pertinente vivê-lo.
Voltando pra casa, ia então cartografando pequenos traçados da cidade, deitada na parte de trás de uma caminhonete. Olhar atento e um pouco de entrega: A carona que lhe proporcionara um pouco de vento no rosto. Os fios elétricos, que mais pareciam linhas de metrô, as árvores com flores (afinal, era primavera), a costura dos prédios no céu, quando os ruídos da cidade ficavam mais intensos. Finalmente vivenciara a frase “lo que importa no es la luz, son los 12 segundos de oscuridad”.
Despediu-se, abriu um sorriso... E caminhou em direção ao desconhecido.
O caminho era pintado com aquarela.
Sunday, October 26, 2008
La Lógica duerme
Saturday, October 04, 2008
tempo, tempo

Erro, nada, morena. Pecado é não viver.
Monday, July 21, 2008
Diferentes ritmos, passos lentos, passos que se dispõem. Dão-se ao tempo: tempo este necessário para que os fluxos perpassem algum lapso que não seja o de um sentido que vem, e impera. Perguntava-me sempre se era pé, após pé, ou um olhar atrás, quiçá um olhar através... para que lado se direcionava o olhar, quando a matéria de pensamento era a memória – a questão sempre era: se olha realmente para trás, quando se olha para trás? Caminha-se para qual direção, quando não foi imposta uma direção à caminhada? Sei que a passos lentos fui tecendo alguns emaranhados nos quais me perco ainda... fios de pele, olhares que envolvem algumas paisagens ainda tênues... doces lembranças do porvir...
toco com os olhos o que para mim é poro,
como aquilo que na infância pensei haver conhecido,
mas que não passava de cisco,
e hoje é deslumbramento.
Tuesday, June 17, 2008
Contar os descaminhos da minha memória.
Mas isso não tem nenhuma relação com recordar...
Não olho para trás quando olho para trás.
Queria habitar um entre, um território não-cinza.
Um lugar que fosse sendo criado, como todo passo,
Todo caminho.
Queria compor uma geografia dos meus passos.
Uma anti-análise do meu afeto.
E o saborear de uma criação.
Apenas sentir o passar do vento ao redor dos meus cabelos.
A vertigem de ficar estática por cinco minutos.
Acordada, sem saber.
Queria sentir o toque da mão... sobre a mão.
Como se me tocasse, e isso me fizesse sendo.
Um corpo.
Um corpo que anda.
Um corpo que anda e sente.
Queria percorrer este lado obscuro da minha memória.
Em que me faço outra, a cada história que conto.
Narrando-me, eu abro espaço para muitas outras
Que não fui.
E que agora estou sendo.
Pois sou corpo.
Wednesday, June 11, 2008
Deve haver algum sentido em mim... *

Passos se desfazem em meio a folhas secas, que tomam conta de um outono tardio. Colorações movidas pela decomposição: do dia, do verde, das intenções, das lembranças. O ferro mantém um pigmento natural, e sobre ele, passagens de sentidos múltiplos. Andei pensando que por frestas também se podia sonhar, eis que o vento chega e me sacode as inquietações... Passar uma noite acordada olhando para as ausências pode até comover. Mas percebi que na paisagem me perpasso, e também nas frestas encontro algum alento. Se em algum momento eu me vi refém de mim, sofrivelmente foi aquele não que, de modo inalterável, fez-me ver que, sim, ainda é possível sonhar. Olho além. E ainda vejo vida. Então...
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* Imersa em “Deve haver algum sentido em mim que basta”, da Companhia de Teatro Autônomo, do RJ.
Thursday, June 05, 2008
Tuesday, May 27, 2008
Reminiscências

Apoia-se na janela e assiste a vida passar. São movimentos frenéticos, mas observa tudo com uma serenidade de quem respeita o movimento da vida. O tempo já não é motivo de dor... Não pensa que já vivera tudo, embora no alto dos seus 72 anos muito já esteja impresso nos limiares de seu corpo: rugas e cabelos brancos, disso já havia notícia há anos. Mas ela sorri. Não faz parte da geração cosmética. E respira aliviada por isto.
Um singelo ‘olá’ àquele que passa. Pensam que ela espera, um amor, uma dor, algum instante puro e doce de afeto. “Espera não é desespero, menino”, ela pensa em dizer para o garoto que corre sem saber para onde vai.
Ela não espera. Sabe, simplesmente, respeitar o tempo. Sabe, também, que n’aquela janela onde se debruça todos os dias estão inscritas muitas memórias que talvez não tenha tempo de contar.
Thursday, May 15, 2008
Fly, little butterfly... fly...

Mesmo se só o silêncio responde a ela".
E me agrada responder assim, tão assistematicamente,
assim, tão intersticialmente...
Monday, May 12, 2008
Solana e as perguntas

- Será assim a vida?
Ela adorava questionar sua mãe, irmão, mesmo algum desconhecido, na confiança de que teria a resposta para todas suas dúvidas.
Mas nunca obtinha, porque, afinal, Solana, as perguntas mais simples são as mais difíceis de serem respondidas.
Solana e suas perguntas:
- Por que o coração bate?
- Por que o céu é azul?
- Por que a mexerica morreu?
É, talvez a vida seja feita da matéria dos sonhos.
Você sempre teve razão, pequena.
Monday, May 05, 2008
A capital da dor
Hoje eu vou tentar uma escrita surrealista. Qual, perguntei, eu, meio displicentemente, porque pouco o ouvia. Talvez fosse falta de atenção. Qual, repeti, com um pouco mais de afinco. Aquela que a gente escreve sem se preocupar com a ordem, a gramática e a semântica. Ah, aquela que vem sem ponto, disse eu, como se entendesse. Na verdade eu não entendia, como em Alphaville**, o significado de somar. Não bastavam as composições de palavras, afinal, algumas palavras simplesmente não estavam no vocabulário que me tinham ensinado. Dar novos sentidos era meu problema naquele momento. E um problema que teria de enfrentar sozinha: “...salve estes que lamentam... de qualquer modo, é a minha viagem até o fim da noite”, pensei.
Ele continuava em meio a papéis, dizendo que sim, as pessoas haviam se tornado escravas de probabilidades. Quais números, perguntava insistentemente, mas agora ele parecia não me ouvir, talvez adentrava portas de recintos não habitados, talvez procurava a si mesmo enquanto se perdia no labirinto da solidão. Haveriam muitos talvezes. Ele me disse que eu poderia inventar palavras, e plurais também. Eu me senti mais aliviada. E ele disse, sutilmente, ‘entendo’...
Enquanto houvesse a lacuna da fronteira intransponível, por mais palavras que se utilizasse, e por mais que o vocabulário se tornasse mais específico para as realidades forjadas a cada dia, não haveria comunicação. Eu disse ‘que brilhante a tua conclusão’, mas ele tratou como se fosse ironia. Que nada. Eu estava pensando naquela parte em que tudo ficava cinza, posto que os pensamentos eram amenizados, e nós nos libertávamos para simplesmente sentir, e assim, sem palavra alguma nos comunicávamos mais do que teses de 500 páginas, porque nosso olhar nos dizia algo mutuamente, sem dor.
Se minimizar exceções é o desejo destes portos, onde o que existe é apenas o presente, o presente, e o presente como fronteira intransponível, nós dizemos em coro (eu e ele), que somos todos únicos, terrivelmente únicos, que a lógica não nos condena, porque a ultrapassamos, e isto é uma escolha, e, se for criminosa, não nos importamos em habitar a noite, ou o exílio, se querem dizer assim, porque quando eu havia perguntado a ele “você sabe o que transforma a noite em luz?”, ele me respondeu “a poesia”.
Se estamos na capital da dor, nos amamos, e basta uma carícia. Ela nos conduz à nossa infância.
Sunday, April 13, 2008
Ninguém

Mas agora te tornaste verbo, e despejas tuas palavras denotando (apenas) erudição. És apenas um vocábulo, uma palavra em gênero femino escrita n'algum papel amassado.
E eu te rasguei.
Thursday, March 27, 2008
Rascunho

Aí estou, um rastro, um fio nebuloso que se estende pelas cidades nas quais me perco, uma fita que mal cintila a sua aparência, e que me põe a sorrir diante das vicissitudes da vida. Afinal, o sorriso transforma? Quais escombros ele desmente? Naquelas esquinas em que me encontrei perdida... Pois sempre perdida, com calça desbotada, uma espécie de hiato temporal entre o chão leve, vermelho, e os passos que vão tecendo o asfalto.
Algo navalha a carne. Será pele? Será polis? Não, epifanias discursivas, enquanto me despeço de Platão, no mesmo instante em que ele se despede dos artistas...
Apenas perguntas vãs. Que arranjos me dispõem respostas? Nelas não me pertenço...
Estranho, ainda assim é difícil me ver na imagem...
Estou sentada à esquerda.
Saturday, March 15, 2008
O Teatro Mágico


Thursday, March 13, 2008
Tuesday, March 11, 2008
Depois das horas

Por quanto parado? estático?
Decide caminhar e entreter-se com sorrisos de passos.
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"O meu paraíso é onde estou"! Teatro Mágico em Londrina, é muita emoção nesta vida!!!
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