Monday, September 03, 2007
Pureza
Wednesday, August 22, 2007
Des-forme
São esses afazeres de poços profundos
Em que te fazes tão breu
Notícias silenciosas também te calam
Enquanto a solitude se avizinha
Nada brilha mais
A não ser aquela poeira que ficou
Sem espaço escolhido,
Promocionalmente esquecida.
Onde te dói, noite
A não ser naquilo que mais calas?
Qual desvio de ti se aproxima?
Sunday, August 05, 2007
Saturday, July 14, 2007
Sábado...
Os pássaros, a ponte, as mesmas frases pintadas, o céu, o sol. “Um dia como outro qualquer” com um quê melancólico. Este lugar não me pertence, mas é como se estivesse difusa em cada limiar dessas passagens. Lá sou eu, aquele pássaro negro entre pássaros brancos, a única passagem livre para motos, a pedra que o homem resolveu pintar e chamar de casa, alguma incidência leve de movimento nos galhos das árvores, sou eu também que as sopro. Sou a árvore que não respeita a linha, um galho seco onde tudo o que se vê é água, sou mesmo uma natureza morta, e somente poucos percebem que, na verdade, não passo de uma natureza adormecida...
Sou as roupas coloridas estendidas num varal. Eu sol.
Eu sou o reflexo do céu nas poças de chuva. Sou também uma cerca que não delimita. Sou ainda a bagagem daquela senhora. E às vezes, eu carrego nada.
Eu sou o vôo rente, e estou sempre abraçando a grande figueira, logo que passa o desvio do trem.
Eu sou um abraço.
Sou um bicho sem socorro no asfalto.
Wednesday, June 13, 2007
Dos exploradores da Palavra
Seção última e íntima sobre um processo de arqueologia da pele
Musicando vestígios I
Intervenção visual no MALG. Saída pela sala – espaço muitas vezes mortuário, o museu – portando uma bicicleta. Desconcerto dos espectadores, que conversam o que jamais saberei. Gravura, espaço e tecedura de texturas. Vou tecendo através dos meus não-passos por (pneu de) bicicleta.
Pneu vazio vai me dando as margens deste percurso ao acaso: sinto pernas enrijecerem-se mediante a troca das texturas alternantes asfalto-pedra-calçada sinuosa. A cada troca, este movil trabalhando por princípios físicos me propõe novas experimentações de meu corpo e do espaço. Já não traço as ruas pelos seus vulgares referenciais (universidade, farmácia, bar), na verdade seus usos foram negligenciados, este é um percurso dos afetos potencializados pela matéria.
Andei fazendo algumas gravuras pelo caminho... Mas delas não tenho vestígios.
Pode parecer ambígua a idéia de fazer gravuras imaginárias. Logo estas, que têm a necessidade da matéria (enquanto matriz, o pneu)...
Mas me detenho na gravura enquanto incisão. Incisão ao acaso daquilo que se desfaz sem ter sido: gravura imaginária como pequenas incisões imperceptíveis no asfalto.
Thursday, May 17, 2007
Espinhos, esporas*
Fecha os olhos. Esquece, esquece, esquece! - Mas não consigo!
Vai lutando, até que.
Agora que tudo parece mais calmo, e por vezes límpido, decide ligar as luzes. Desconfia de si e de todos. Olha no espelho, e finge estar contente. - Não preciso mais disto.
Sai de casa em busca de alguém com quem dividir [o seu vazio].
Bate a porta, mas não convence a ninguém.
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Embebida em Orós
* Sobre a renda labirinto pedras no meu peito aberto em chaga amor
Conheço a morte e a paixão, conheço a morte e os espinhos... esporas...



