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Saturday, July 14, 2007

Sábado...

Os pássaros, a ponte, as mesmas frases pintadas, o céu, o sol. “Um dia como outro qualquer” com um quê melancólico. Este lugar não me pertence, mas é como se estivesse difusa em cada limiar dessas passagens. Lá sou eu, aquele pássaro negro entre pássaros brancos, a única passagem livre para motos, a pedra que o homem resolveu pintar e chamar de casa, alguma incidência leve de movimento nos galhos das árvores, sou eu também que as sopro. Sou a árvore que não respeita a linha, um galho seco onde tudo o que se vê é água, sou mesmo uma natureza morta, e somente poucos percebem que, na verdade, não passo de uma natureza adormecida...

Sou as roupas coloridas estendidas num varal. Eu sol.

Eu sou o reflexo do céu nas poças de chuva. Sou também uma cerca que não delimita. Sou ainda a bagagem daquela senhora. E às vezes, eu carrego nada.

Eu sou o vôo rente, e estou sempre abraçando a grande figueira, logo que passa o desvio do trem.

Eu sou um abraço.

Sou um bicho sem socorro no asfalto.

Wednesday, June 13, 2007

Dos exploradores da Palavra


Seção última e íntima sobre um processo de arqueologia da pele


Musicando vestígios I


Intervenção visual no MALG. Saída pela sala – espaço muitas vezes mortuário, o museu – portando uma bicicleta. Desconcerto dos espectadores, que conversam o que jamais saberei. Gravura, espaço e tecedura de texturas. Vou tecendo através dos meus não-passos por (pneu de) bicicleta.

Pneu vazio vai me dando as margens deste percurso ao acaso: sinto pernas enrijecerem-se mediante a troca das texturas alternantes asfalto-pedra-calçada sinuosa. A cada troca, este movil trabalhando por princípios físicos me propõe novas experimentações de meu corpo e do espaço. Já não traço as ruas pelos seus vulgares referenciais (universidade, farmácia, bar), na verdade seus usos foram negligenciados, este é um percurso dos afetos potencializados pela matéria.

Andei fazendo algumas gravuras pelo caminho... Mas delas não tenho vestígios.


Musicando vestígios I ½


Pode parecer ambígua a idéia de fazer gravuras imaginárias. Logo estas, que têm a necessidade da matéria (enquanto matriz, o pneu)...

Mas me detenho na gravura enquanto incisão. Incisão ao acaso daquilo que se desfaz sem ter sido: gravura imaginária como pequenas incisões imperceptíveis no asfalto.

Thursday, May 17, 2007

Espinhos, esporas*

Havia uma tarde ensolarada em meio àqueles desconfortos casuais. Ele sentou. Abriu o casaco, e tentou se sentir menos inquieto. Nas flores o orvalho, mas não, ele não o podia tocar. A perfeição que lhe sugiria não comportava as incertezas. Mas por quais recônditos se escondiam tais lapsos de perfeição? O mundo não era nem um pouco sereno... Sábio se achava, mas estava só. Enfim, a vida se apresentava tal qual dobra, fissura, e já não tinha como dominar. A dor se instaura, e neste instante já está tentando esticar as pernas, e esquecer. Não é uma simples dor de cabeça de quem chega esgotado depois de um dia repleto de repetições. Não. Era algo mais, e não se poderia precisar. Tanto quanto rio que cruza com lagoa, era a sua ilusão de pertencimento no mundo. E não o bastavam os devaneios de um caminhante solitário, esperava bem mais da solidão.

Fecha os olhos. Esquece, esquece, esquece! - Mas não consigo!

Vai lutando, até que.


Agora que tudo parece mais calmo, e por vezes límpido, decide ligar as luzes. Desconfia de si e de todos. Olha no espelho, e finge estar contente. - Não preciso mais disto.

Sai de casa em busca de alguém com quem dividir [o seu vazio].

Bate a porta, mas não convence a ninguém.

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Embebida em Orós
* Sobre a renda labirinto pedras no meu peito aberto em chaga amor
Conheço a morte e a paixão, conheço a morte e os espinhos... esporas...


Wednesday, April 18, 2007

Sunday, March 04, 2007





Naquele meio-termo, tempo, surgira todo um mundo por entre uma fissura escolhida. Pedia passagem, e também acolhimento. Aconteceu que não o notara por entre a caminhada, cercania do verde de uma tarde de primavera quaquer. Nenhum vidro o cobria, estava exposto, mas isto definitivamente não era o bastante. Corta pele, vidro, prejudica a escrita, mas não o olhar-acaso. Foi assim que o verde surgiu em meio a nuvens de uma madeira mal-tratada. Casa, morada, pele? Já não se pode habitá-la só.

Friday, March 02, 2007

Ponerse

Movimiento

Repentino


Rompante

Deseo


Piel y pelo

Friday, February 09, 2007

Procurar o alvo. Tantos objetivos fracassados, tantos sonhos deixados de lado. A sensação é a de que não os abandonei, apenas os permiti a gestação, para manter meus não-abortos despertos a um tempo mais maduro, porém também febril, não há margem que não contenha um tanto de embriaguez.
Andei revivendo a leitura de um não-lugar não mais habitado, povoado somente por silêncios e fissuras, por descompassos, enfim.
Memória tal qual mandrágora que fere o que já é ferida. Mas como buscar cura, se já não há? Melancolia dos desprazeres movidos a anti-depressivos... Preferi a escrita. Onde está a carne em meio a todas estas letras jogadas ao pó? Cavei meu próprio túmulo nesta escuridão chamada noite-quente-de-fevereiro. Mas o que posso fazer, se me dói a garganta?
Mereço uma meninice de rompante, gritando atenção. Mas que bobagem esta de dar milho às pombas. Sacrifício cotidiano da incompreensão. Let fly. E sempre que um barbante prende, dá-se um jeito, a vida e suas intermitências. No meu tempo tatuagem era "decalque". Ainda sonhei que me escreviam poesias malditas pelas pernas. E não eram decalques.

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Como vou apagar,
a palavra carne
pressupõe desejo, vontade,
mas fui roubada
de mim
em meio à ebriedade.

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E para quê tantas mensagens sem um destino fixo? Carrossel de passagem, dê mais uma volta.
Mas eu passei para alguns brinquedos mais tempestuosos...
Aquela poesia só me fez chorar... e dormir.

Tuesday, February 06, 2007

Lendo escritos antigos

Comentários antigos

Será que enlouqueci

Em meio a tantas...

Letras?