Monday, January 29, 2007
las espaldas duelene já não me contento em passar
tal qual água corrente
de movimento incessante
irremediáveis contornos
de rosto seco, a chorar
demorar-se em si mesmo
tanto quanto silenciado
daqueles retornos corridos
ah, a angústia agora
é suor, tudo tão quente
e o corpo já não se fere
auto-flagelo de outrora
agora é um quarto vazio
querendo-se povoar
não, não é por conveniência
alguns chamam isso de saudade
e chego cada vez mais,
aproximando cercanias
ao redor e tudo mais
e os kilômetros se vão
seja a 140 e poucos (ou não)
Wednesday, January 17, 2007
Monday, December 11, 2006
Wednesday, December 06, 2006
PALAVRA
Tramas - Satolep/RS
Haviam poetas tortos
pequenos errantes
sem porvir
aqueles papéis esvoaçantesde
letras castas
sem ferir
interpérie espécie
viver à luz
de qual miséria?
Miséria é letra vazia
daquela de nada dizer
de um tal discurso
tocado ao vento
e que, sem perceber,
some.
Palavra é para ser respirada.
Depositário

Aquela sensação de estranhamento... Aquele banheiro, ladrilhos bicolores e disformes, prontos para fabricar a queda, e seus cabelos esvoaçantes, fechando a porta como quem se esconde de algo. Suspiros e estranhamentos. Nada mais parece em seu lugar. Prazer e medo.
Por quais escuridões passaram-se séculos, este espaço ainda sujo, sacralizando paixões em rituais, como se estivesse revivendo um abate (esconda-se, alguém está à sua procura...).
Esperava alguém.
Ouvia-se à porta batidas leves.
Eram batidas tão suaves, escondendo uma curiosidade latente. E poderiam ser de qualquer pessoa.
Não houve resposta, ninguém ousaria entrar naquele mundo, naquele pequeno mundo sujo e vil. O silêncio escondia a vergonha. Pequenas violência cotidianas.
Refez sua maquiagem. As lágrimas foram devidamente encobertas.
De volta à festa, os minutos passaram, ninguém notou a falta.
Aquela pessoa esperada havia encontrado alguém com quem dividir o seu vazio. Retorna mascarando desconsolo, aprendeu a fingir tão bem, ascese burocrata, nada mais dói, nem dá prazer. Chorou porque não admitiu se tocar, porque o corpo, nestas tragetórias, é mero depositário.
Fingiu tão bem
Ali
Ali onde não se geme
Ali onde não se arde
Ali onde não se vive
Só se passa
Por quais escuridões passaram-se séculos, este espaço ainda sujo, sacralizando paixões em rituais, como se estivesse revivendo um abate (esconda-se, alguém está à sua procura...).
Esperava alguém.
Ouvia-se à porta batidas leves.
Eram batidas tão suaves, escondendo uma curiosidade latente. E poderiam ser de qualquer pessoa.
Não houve resposta, ninguém ousaria entrar naquele mundo, naquele pequeno mundo sujo e vil. O silêncio escondia a vergonha. Pequenas violência cotidianas.
Refez sua maquiagem. As lágrimas foram devidamente encobertas.
De volta à festa, os minutos passaram, ninguém notou a falta.
Aquela pessoa esperada havia encontrado alguém com quem dividir o seu vazio. Retorna mascarando desconsolo, aprendeu a fingir tão bem, ascese burocrata, nada mais dói, nem dá prazer. Chorou porque não admitiu se tocar, porque o corpo, nestas tragetórias, é mero depositário.
Fingiu tão bem
Ali
Ali onde não se geme
Ali onde não se arde
Ali onde não se vive
Só se passa
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