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Wednesday, December 06, 2006

PALAVRA

Tramas - Satolep/RS
Haviam poetas tortos
pequenos errantes
sem porvir
aqueles papéis esvoaçantesde
letras castas
sem ferir
interpérie espécie
viver à luz
de qual miséria?
Miséria é letra vazia
daquela de nada dizer
de um tal discurso
tocado ao vento
e que, sem perceber,
some.
Palavra é para ser respirada.

Depositário


Aquela sensação de estranhamento... Aquele banheiro, ladrilhos bicolores e disformes, prontos para fabricar a queda, e seus cabelos esvoaçantes, fechando a porta como quem se esconde de algo. Suspiros e estranhamentos. Nada mais parece em seu lugar. Prazer e medo.

Por quais escuridões passaram-se séculos, este espaço ainda sujo, sacralizando paixões em rituais, como se estivesse revivendo um abate (esconda-se, alguém está à sua procura...).

Esperava alguém.
Ouvia-se à porta batidas leves.
Eram batidas tão suaves, escondendo uma curiosidade latente. E poderiam ser de qualquer pessoa.

Não houve resposta, ninguém ousaria entrar naquele mundo, naquele pequeno mundo sujo e vil. O silêncio escondia a vergonha. Pequenas violência cotidianas.

Refez sua maquiagem. As lágrimas foram devidamente encobertas.
De volta à festa, os minutos passaram, ninguém notou a falta.
Aquela pessoa esperada havia encontrado alguém com quem dividir o seu vazio. Retorna mascarando desconsolo, aprendeu a fingir tão bem, ascese burocrata, nada mais dói, nem dá prazer. Chorou porque não admitiu se tocar, porque o corpo, nestas tragetórias, é mero depositário.

Fingiu tão bem
Ali
Ali onde não se geme
Ali onde não se arde
Ali onde não se vive
Só se passa

Monday, December 04, 2006

Aunque estoy a punto de renacer,
no lo proclamaré a los cuatro vientos
ni me sentiré un elegido:
sólo me tocó en suerte,
y lo acepto porque no está en mi mano
negarme, y sería por otra parte una descortesía
que un hombre distinguido jamás haría.
Se me ha anunciado que mañana,
a las siete y seis minutos de la tarde,
me convertiré en una isla,
isla como suelen ser las islas.
Mis piernas se irán haciendo tierra y mar,
y poco a poco, igual que un andante chopiniano,
empezarán a salirme árboles en los brazos,
rosas en los ojos y arena en el pecho.
En la boca las palabras morirán
para que el viento a su deseo pueda ulular.
Después, tendido como suelen hacer las islas,
miraré fijamente al horizonte,
veré salir el sol. la luna,
y lejos ya de la inquietud,
diré muy bajito:
¿así que era verdad?

«Isla», 1979
Virgilio Piñera, poeta cubano

Monday, November 27, 2006

Contact improvisasión

O limite do chão é
quando meu braço
sem perceber
toca o papel
corpo estranho
poeira nas mãos
e no rosto o cabelo solto
descontrolado
sem limite
poética dos fragmentos
(de mim)
jogados ao chão

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d'algumas experiências dançantes e moventes, ao som da voz da prof. argentina de Contact, Marina.
Lindo. Simplesmente.

Ulisses Carrion - México


Friday, November 24, 2006

Mandrágora

Daquelas tardes frias
de ópio enfileirando a poética
revisitando confins de memórias
rotos e amassados
senti pouco ou muito
de uma presença de ti
ainda não o sei.
Nos liames
foi que te percebi
em meio a lágrimas
e algumas ataduras do tempo
que se esvaem
naquela curvatura
entregue à passagem
das dobras, recheios ou desenlaces
do viver.
Pois não, alguma obra feita.
Paragens ou um sonho à espera
de quem (o) sonhe
Frituras do porvir
(Ah, quão entregue ao suor
que me aludes).
E depois,
dos lixos da vida
revestidos de brilhos
distâncias mínimas, quem sabe
ou uma aparência insuportável
a menos de dois passos
o vômito.
E lá onde bate a casca
a lágrima do tempo retorna (retoma)
por que cargas fede?

Ah, mandrágora memória
Deixe-me em paz

Barbara Kruger